8 de out de 2010

Sambaqui Morro do Peralta

SAMBAQUI MORRO DO PERALTA- Em abril de 2007 foi realizado, em caráter emergencial, o salvamento de dois esqueletos humanos, do sexo feminino, encontrados no pátio da casa do Sr.Rogerio Mota. Foi um acontecimento que esteve nas páginas dos jornais e até da televisão e causou grande frisson na cidade de Laguna. O salvamento foi feito pela equipe do GRUPEG-ARQUEOLOGIA-UNISUL-CAMPUS TUBARÃO, em parceria com o IPHAN. Além dos esqueletos, foram encontrados outros vários vestígios de arqueofauna e material lítico, comprovando a existência de povos da pré-história aqui radicados. A descoberta foi motivo de alegria para os estudiosos de Arqueologia Pré-História, ciência esta que estuda vestígios de povos que aqui habitaram na época da pré-história, muito antes da chegada dos colonizadores portugueses. Os Sambaquis são sítios arqueológicos construídos pelos sambaquieiros, também conhecidos como pescadores ou coletores. Aqui em Santa Catarina já foram encontrados Sambaquis datados de 4.550. anos A.C., já tendo sido recolhidos restos de conchas, ossos de peixes, demonstrações de locais de cerimonial para o sepultamento de seus mortos, bem como locais de festas e comemorações. A ossada humana encontrada aqui no Morro do Peralta foi calculada com a data de 4000 anos, uma importante descoberta da pré-história, motivo porque o IPHAN ou outro [órgão competente, deveriam destacar uma atenção toda especial para este fato]. Além do Morro do Peralta, foram descobertos muitos outros Sambaquis no Mato Alto, de onde foram retirados cerca de 9.300 fragmentos de cerâmica, indicando intensa ocupação no local, como moradia e locais de rituais religiosos Os moradores do Morro do Peralta, onde foram localizados os sambaquis motivo deste artigo, estão desiludidos com a falta de interesse do IPHAN, pois depois da retirada da ossada humana, comprovadamente pertencente à nossa pré-história, nada foi divulgado e nenhuma atitude foi tomada. para resguardar aquele local como centro de estudos, de pesquisas e de atração turística. Um patrimônio histórico está se perdendo, está se desgastando e os órgãos competentes ficam alheios e desinteressados, como se isto não lhes dissesse respeito. Um sitio arqueológico dessa envergadura deveria ser considerado de utilidade pública e os donos dos terrenos deveriam ser indenizados pelos contratempos que lhes são imputados. O IPHAN isola os terrenos, faz imposições, mas depois tudo abandona. O valor foi só o descobrimento do sítio, a propaganda e os elogios e tudo volta para o esquecimento. Vocês já viram como o nosso governo tem memória curta? Promessas são feitas, mas o cumprimento delas são facilmente esquecidas. Tomara que o IPHAN venha cuidar melhor dos sambaquis aqui localizados e dispense uma atenção muito especial a esse achado da nossa pré-história. Os donos do terrenos não devem ter o encargo de zelar pelo sambaqui que é de responsabilidade da União.

Mary Brown da Silva

                                                                
                                                                                                                           

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